Sunday, January 20, 2008

na memória do tempo

na memória do tempo recordo o secreto beijo
os cavalos com as crinas ao vento
o filho que nunca tive
as aves que não levantaram voo
a erva fresca no leito do rio

onde estão os olhos da mulher que amei
a doce fragância do seu canto
as antigas manhãs onde me perdi
no seu incendiado corpo

com saudade recordo
a mansa brisa das tardes em flor
nos campos da minha infância,
a breve alegria dos suaves momentos,
tempo que na minha memória foi vento

e pergunto aos Deuses
quem acendeu a fugaz luz que foi esta vida?


pedro aranda

4 comments:

alice said...

creio que foi você que a acendeu *

alice said...

boa tarde. desculpe voltar a comentar. mas não encontrei o seu endereço de e-mail. fiquei sua leitora. mas quero também e sobretudo agradecer o link. bem haja.

Pedro Aranda said...

não tem que agradecer, foi com satisfação que fiquei a conhecer o seu excelente blog

nd said...

Gostei bastante da poesia que li, mas dizer isto é algo tão abstracto que pode não dizer nada. Mas se afirmar que a sua poesia tem algo precioso como é a marca cultural da pátria de onde vem, no tempo em que existiam pátrias, já digo algo e, para mim, muito. E isto não é situá-la fora do tempo, no tempo em que havia uma clara identidade nacional, porque só hoje a sua poesia poderia ser escrita. Acrescento que estas palavras nada têm a ver com saudosismo retrógrado.